ALJEZUR





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HISTORIA


Vestígios do passado pré-histórico atestam a importância deste concelho para povos como os mirenses (7000 anos a.C. final da Idade Glaciária). Sendo povos nómadas, caçadores/recolectores, caçavam e apanhavam mariscos do mar com os seus machados rudimentares, assim como escavavam a terra à procura de tubérculos ou raízes, constituindo assim a base da sua alimentação.
Também da pré-história é um vasto conjunto de peças em pedra polida, silex, xert, entre outros, atribuído ao período Neolítico Final/Calcolítico (3000-2500 anos a.C.), que se encontra em exposição no Museu Municipal em Aljezur.
Da Idade do Bronze (1200-900/800 anos a.C.) surge a Necrópole de Corte Cabreira, na freguesia de Aljezur, detectada em 1990, sendo alvo posteriormente de escavações de emergência.

No entanto, é do período islâmico (séculos X-XII) que se reserva o maior esplendor arqueológico do concelho de Aljezur, comprovado por escavações arqueológicas levadas a efeito quer no Castelo de Aljezur, na Ponta da Atalaia (Rîbat da Arrifana), Ponta do Castelo - Carrapateira, na Igreja Nova Aljezur ou em Alcaria, freguesia de Aljezur.
Aljezur foi fundada no séc. X pelos Árabes, que permaneceram longo tempo na região, deixando costumes e tradições que se mantiveram após a Reconquista Cristã e chegaram aos nossos dias.

A vila de Aljezur foi tomada aos mouros em 1249, reinado de D. Afonso III, sendo o herói da tomada de Aljezur aos mouros o Mestre da Ordem de Santiago - D. Paio Peres Correia. Esta conquista deu-se ao romper da alva, ocupando o castelo que se encontrava na posse dos mouros. A partir de então, os cristãos agradeceram a Maria o sucesso da conquista e numa expansão da fé tornou-se Nossa Senhora da Alva a Padroeira de Aljezur, facto que ainda hoje é transmitido via oral, através da lenda da Conquista do Castelo.

Em 12 de Novembro de 1280, D. Dinis concedeu foral a Aljezur. Foi lavrado em Estremoz e foi a primeira Carta de Foral concedida por D. Dinis a uma terra algarvia. Em 1 de Junho de 1504, D. Manuel reformou a Carta Diplomática de D. Dinis e concedeu novo Foral a Aljezur.

No séc. XVII foi mandado construir o Forte da Arrifana, edificado em 1635 e reedificado em 1670, que tinha como principal função a defesa de uma armação de pesca que, já em 1516, existia neste local.
A Igreja da Carrapateira, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, foi construída no reinado de D. João IV, sendo anterior a 1673. O local onde esta igreja foi erigida (era a zona mais alta, tendo a poente uma zona plana de onde se avistava o mar e a povoação se desenvolvido a nascente e a Sul) foi o que melhor serviu para em 1673 se vir a construir o Forte da Carrapateira, por D. Nuno da Cunha de Ataíde, Conde de Pontevel e Governador do Reino. Envolveu assim, esta fortaleza, o templo já existente.
Nesta época após Restauração da Independência, reinados de D. Afonso VI e seu irmão, Regente e depois Rei de Portugal - D. Pedro II, infestavam os mares portugueses corsários marroquinos que desembarcavam nos ancoradouros marítimos mais favoráveis e desprovidos de defesa militar. Iniciavam então o assalto às povoações mais próximas. Carrapateira ergue-se entre duas praias de fácil desembarque: a Praia da Bordeira, a Norte e a Praia do Amado, a Sul. Dessas praias dirigiam-se ao casario e praticavam com violência o roubo e a destruição. Levavam ainda consigo jovens de ambos os sexos que eram vendidos como escravos nos mercados de Argel.
Aljezur e todo o concelho sofreram uma enorme destruição com o terramoto de 1755. Afastando-se dos escombros da vila, o Bispo D. Francisco Gomes de Avelar, projectou e fez construir o templo da Igreja Nova ou de Nossa Senhora da Alva (situado em frente ao Castelo, do outro lado da ribeira de Aljezur), com o propósito de encontrar um espaço plano e arejado, não apenas para a Igreja mas também para o novo aglomerado urbano que deveria nascer e que desde aí se passou a denominar de “Igreja Nova”.

Castelo
Monumento Nacional. Erguido pelos árabes no séc. X e tomado aos mouros no séc. XIII foi o último castelo a ser conquistado no Algarve. Embora em mau estado de conservação, mantém a sua cerca de muralhas (séc. XIV) e duas torres. Daqui desfruta-se de uma magnífica vista panorâmica: a nascente sobre a imensa várzea de Aljezur e sobre a zona da Igreja Nova, e a poente sobre o Vale D. Sancho, onde outrora se cultivava o arroz.

Rîbat da Arrifana
Próximo do Vale da Telha, o Rîbat da Arrifana, convento-fortaleza fundado pelo mestre sufi Ibn Qasî, cerca de 1130, foi erguido na Ponta da Atalaia e servia durante a longa ocupação árabe como um misto de centro religioso e militar.
Escavações arqueológicas levadas a efeito puseram a descoberto um conjunto de mesquitas e de oratórios, de diferentes constituições e dimensões, continuando ainda os trabalhos por equipas de arqueólogos. Estamos perante o que resta de um dos maiores Rîbats jamais encontrados na Península Ibérica.
Em particular, mantêm-se extremamente bem conservados os espaços consagrados às orações a Alá, virados para Meca.