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HISTORIA
Lisboa, que era já um dos principais centros urbanos do Ocidente
da Península (teria uma população a rondar os 50.000
habitantes). Sintra era na altura uma espécie de horta de Lisboa,
famosa sobretudo pelos seus frutos.
É com os muçulmanos que nos aparecem as primeiras
referências documentais à vila de Sintra, como o atestam as
belas e nitidamente fantasiosas descrições que os autores
árabes dela fizeram:
"(Sintra
é) uma das vilas que dependem de Lisboa no Andaluz, nas proximidades
do mar. Está permanentemente mergulhada numa bruma que se não
dissipa. O seu clima é são e os habitantes vivem logo tempo.
Tem dois castelos que são de extrema solidez. A vila está
a cerca de uma milha do mar. Há aí um curso de água
que se lança no mar e serve para a rega das hortas. A região
de Sintra é uma das regiões onde as maçãs são
mais abundantes. Esses frutos atingiam tal espessura, que alguns chegam
a ter quatro palmos de circunferência. Acontece o mesmo com as peras.
Na serra de Sintra crescem violetas selvagens. Da costa vizinha extrai-se
âmbar excelente." (Ibne Abde Al Mumine Al Himiari)
Sintra foi durante a época islâmica - e à semelhança
do sucedido em tempos anteriores - um dos principais pólos abastecedores
da variegada Lisboa, tendo sido igualmente estratégico apoio defensivo
da cidade e assim se compreende que, no prenúncio cristão,
tenha sofrido ataques e efémeras conquistas, como a de Fernando Magno
(870) e a de Ordonho III (949); e, já no século XII, foi atacada
pelo conde D. Henrique, tendo, ainda, sofrido a violação normanda
de Sigurd, o viking que, no Castelo de Sintra, massacrou todos os que recusaram
a fé de Cristo. Afonso VI recebeu Sintra do rei de Badajoz, Motawakkil,
em troca de protecção contra os almorávidas, mas a
integração definitiva do território no então
emergente reino de Portugal só ocorreu após a conquista de
Lisboa, em Outubro de 1147, porquanto, isolado em território hostil,
o Castelo de Sintra - e também os de Almada e Palmela - entregou-se
sem luta.
