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HISTORIA
Ao longo da história, vários povos habitaram no local hoje
ocupado pela cidade de Tavira. Antes da presença dos romanos, existem
registos que confirmam povoamentos fenícios e gregos.
Mas a presença mais marcante foi a ilsâmica que permaneceu
nas terras do "Al Garg al Andaluz" (o ocidente de Andaluz) mais
de cinco séculos (séc. VIII - XIII) e que, particularmente,
possuíam neste sítio uma população florescente
e bem fortificada chamada Tabira, modificando, assim, o primitivo nome de
Talabriga.
No decorrer da reconquista cristã, iniciada a partir das regiões
montanhosas das Astúrias, no norte da Península, e caracterizada
por avanços e recuos quer da parte dos cristãos quer da parte
dos muçulmanos, dá-se a fundação de Portugal
(séc. XII) e a dilatação do seu território até
ao Algarve. É neste quadro que se situa a conquista de Tavira aos
mouros.
Segundo a tradição, Tavira foi conquistada aos mouros, em
Junho de 1239, por Dom Paio Peres Correia, Mestre da Ordem Religiosa de
Santiago, como represália pela morte de sete dos seus cavaleiros.
Os restos mortais dos cavaleiros foram depositados na Igreja de Santa Maria
do Castelo (a antiga mesquita-mór), onde subsiste uma lápide.
Após a conquista de Tavira esta foi reconstruída por D. Afonso
III, que lhe concedeu também em 1266 o foral - carta constitutiva
dos concelhos medievais onde se fixava os direitos e deveres do povo, a
maneira de aplicar a justiça - de vila.
Tavira cresceu em importância até ao final do século
XVI, devido sobretudo ao seu porto onde se comerciavam os mais diversos
produtos e de onde se exportava peixe salgado, frutos secos (figos e amêndoas),
sal e vinho, abastecendo portos em Itália e Flandres. A posição
geográfica do seu porto - o mais próximo da costa de África
- também se revelou fundamental e estratégica no período
inicial da expansão marítima. A partir deste se estabelecia
o apoio às guarnições portuguesas das praças
africanas, bem como à armada que actuava no mar próximo. Tendo
também em consideração que Tavira, no século
XVI, era uma povoação influente e em relevante crescimento
(a mais populosa do Algarve e de Portugal), D. Manuel I elevou-a, em 1520,
à categoria de cidade.
A par de todo este crescimento demográfico, há a assinalar
o esplendor religioso de Tavira, visível, ainda hoje, nas suas 21
igrejas e 6 conventos.
Tal como noutras regiões do país, a presença dos religiosos
teve um papel crucial de incremento cultural, espiritual e económico:
os frades cultivavam a terra, ensinavam, assistiam os doentes, eram hospitaleiros,
viviam sobriamente, transcreviam e conservavam livros e procuravam melhorar
as situações dos habitantes em geral. O decreto de 30 de Maio
de 1834, referendado pelo Ministro Joaquim António de Aguiar, veio,
no âmbito da revolução liberal caracterizada por uma
mentalidade fortemente anti-clerical, extinguir todas as ordens religiosas,
nacionalizando os seus bens.
Vários factores estiveram na origem do declínio da cidade,
nomeadamente o progressivo assoreamento da barra e do rio, com a inevitável
perda de tráfego de navios de alto bordo. Também os efeitos
de uma peste devastadora (1645/1646) e os terramotos registados no século
XVIII, mormente o grande terramoto de 1 de Novembro de 1755.
Tavira foi, também, um importante centro de pesca do atum. Esta actividade,
iniciada em 1732, decaiu, na segunda metade do século XX, em consequência
do quase total desaparecimento das rotas do atum junto ao litoral desta
costa.
Actualmente, a cidade vive em grande parte de um turismo crescente que,
recentemente, começa a descobrir a cidade. Tavira pode oferecer testemunhos
de épocas distantes, marcas e monumentos de um notável passado
histórico, para não falar dos seus factores naturais, a Reserva
Natural da Ria Formosa, a sua serra e as praias, a variada gastronomia em
doçaria, peixes e mariscos. O passado histórico desta cidade
é bastante rico e pode ser testemunhado nos seus edifícios,
nos achados arqueológicos e no traçado das ruas do centro
histórico.